
Meu coração ainda estava acelerado depois de ouvir o barulho na cozinha. Por um momento, congelei no sofá, ouvindo. O silêncio na casa parecia pesado, e cada pequeno som ecoava como se estivesse mais perto do que realmente estava.
Finalmente, forcei-me a levantar. Meus pés descalços faziam sons suaves nos azulejos frios enquanto eu caminhava lentamente em direção à cozinha. Meu roupão colava-se ao meu corpo, e cada movimento parecia agudo, quase elétrico, como se meu corpo estivesse alerta de uma forma que eu não entendia.
Quando cheguei à cozinha, vi a fonte do som — um copo plástico que tinha caído no chão. A brisa da janela aberta devia tê-lo derrubado. Um alívio súbito e quente tomou conta de mim. Mas mesmo com esse alívio, meu corpo permanecia tenso, ainda vibrando com a energia nervosa que se acumulava na casa.
Peguei o copo, segurando-o por um momento. Meus dedos tocaram o plástico liso, e percebi o quanto estava consciente de mim mesma — do meu pulso, do calor no meu peito, da estranha tensão na minha pele.
Quase sem pensar, decidi verificar meu irmão.
Caminhei na ponta dos pés até o quarto dele e espreitei. Ele ainda dormia, enrolado debaixo das cobertas, respirando lenta e calmamente. Parte de mim queria sentir aquele peso de responsabilidade, lembrar que tinha que ser cuidadosa. Mas outra parte — aquela que tinha acumulado calor e desejo toda a manhã — não queria parar. Queria sentir, queria entender, queria existir apenas para si mesma naquele silêncio.
Fechei a porta suavemente e encostei-me nela. Um arrepio percorreu-me enquanto deixava meus pensamentos fluírem. A casa estava vazia. Meu irmão estava a dormir. Meu pai tinha saído. E naquele silêncio, senti algo dentro de mim puxando, provocando, implorando para ser notado.
Sentei-me novamente no sofá, abraçando os joelhos. Minha mão pousou no meu roupão. Meu pulso batia tão forte que quase doía. A culpa na minha cabeça gritava:
“Isto é errado. És filha de um pastor. Tens que parar.”
E ainda assim, por baixo de tudo, uma voz mais profunda e mais forte sussurrava:
— Faz. Sente. Isto é teu, e de mais ninguém.
Deixei minha mão mover-se, devagar no início, sobre o tecido macio do roupão. Um arrepio foi dos meus quadris até à espinha. Mordi o lábio, pressionando-o contra os dentes, tentando abafar um suspiro. Meu corpo, que sempre obedeceu a todas as regras, agora parecia mover-se por conta própria. Cada nervo estava desperto. Cada sensação mais intensa. Meu roupão escorregou mais dos ombros, expondo minha pele ao sol da manhã. Meu peito subia e descia rapidamente.
Tentei parar. Tentei juntar as mãos em oração. Tentei pensar em algo sagrado. Mas o calor debaixo da minha mão pulsava mais forte, provocando-me, exigindo atenção. Deixei meus dedos explorarem suavemente no início, maravilhando-me com as sensações novas e estranhas que faziam meu pulso acelerar. Cada toque apertava meu estômago, um nó de fogo que se espalhava por todo o meu corpo.
A respiração tornou-se curta e irregular, quebrada por pequenos gemidos que tentava esconder. O meu peito subia e descia mais rápido a cada movimento. O corpo tremia, os dedos moviam-se como se tivessem vida própria, explorando, descobrindo, entregando-se a uma sensação que nunca me tinha permitido sentir antes.
Não podia acreditar em quão viva me fazia sentir. Cada toque apertava o estômago, fazia as coxas contrair, os quadris arquearem. Pressionei com mais ousadia. O meu corpo respondia de formas que nunca tinha imaginado. O calor espalhava-se, pulsante, fazendo o coração disparar. Queria parar. Tentei—mas a sensação era implacável, impossível de ignorar.
Pequenos sons escaparam dos meus lábios enquanto a tensão aumentava. O corpo levantou-se ligeiramente do sofá, tremendo, procurando o alívio que me tinha sido negado durante toda a manhã. A culpa espetava agudamente:
— Não devia… Não posso… O pai…
E ainda assim o prazer cresceu, selvagem e imparável. Tomou conta de tudo.
A primeira libertação chegou como um relâmpago—súbita, intensa, avassaladora. Os meus dedos ainda se moviam enquanto o corpo tremia com isso. As bochechas ardiam, os olhos apertados. Pressionei o rosto contra o sofá para me esconder—da minha vergonha, da intensidade, do que nunca tinha sentido antes. O calor percorreu cada nervo, deixando-me tonta e sem fôlego.
Mesmo depois da primeira onda, a tensão pulsava, exigindo mais. Pausava apenas por um momento, depois deixava-me ir de novo. Os dedos moviam-se mais rápido, provocando, circulando, pressionando, como se o corpo soubesse exatamente o que queria. Cada nova onda fazia a culpa arder mais, mas o prazer afogava tudo, mais alto, mais urgente.
Perdi a conta de quantas vezes me entreguei—duas, talvez três ondas mais, cada uma deixando-me a tremer, ruborizada, à beira de algo assustador mas excitante. O roupão colava-se à pele com suor, deslizando dos ombros enquanto o corpo arqueava e torcia. As bochechas ardiam, os lábios entreabertos. Cada nervo, cada pulso, cada arrepio gritava de desejo que nunca me tinha permitido sentir.
Finalmente, exausta, tremendo, desabei no sofá. O rosto pressionado nas almofadas. O peito subia e descia rapidamente. Alívio e culpa misturavam-se, rodopiando na minha mente. Tinha cedido a um desejo que sempre neguei, e não havia ninguém para me contar.
Sentei-me ali, a tremer, o roupão húmido contra a pele, as mãos ainda a formigar, o coração a disparar. Sentia-me simultaneamente excitada e envergonhada. A tensão dentro de mim fazia-me querer rir e chorar ao mesmo tempo. Descobri algo proibido, inteiramente meu, e ainda assim enredado em culpa.
Fechei os olhos, respirando fundo e tremendo, tentando reconciliar o que tinha feito. O peso da culpa pressionava como uma pedra, aguda e implacável, enquanto a memória do prazer pulsava baixo no meu ventre, provocando-me, lembrando-me do que tinha descoberto sobre mim mesma. Não conseguia parar de pensar nisso. Não conseguia parar de sentir. E ainda assim, odiava-me por precisar tanto disso.
Então um pensamento cortou a névoa, claro e assustador:
“Se me sinto assim sozinha agora, o que acontecerá quando estiver completamente livre—quando não houver ninguém por perto para me parar, vigiar ou julgar?”
Sozinha, ruborizada, tremendo, culpada, despertando para uma parte de mim que nunca conheci, sussurrei para a casa silenciosa:
— Quem sou eu agora? Em que me tornei? E até onde irei quando a casa estiver vazia outra vez?
O que farias se estivesses no lugar dela?
💬 Participa nos Comentários
Se sentiste alguma coisa ao ler esta história, deixa a tua opinião na secção de comentários. Queremos muito saber como te sentiste acerca desta confissão.
🔔 Mais Confissões Em Breve
Fica atento — novas histórias de confissão estão a caminho, e não vais querer perder o que vem a seguir.
Leia a Parte 1 aqui.

One response to “A Filha do Pastor: Sozinha, Curiosa e Tentada por Pensamentos que Não Deveria Ter” [ parte 2]”
[…] Descobre o que acontece na parte 2 […]